23 janeiro 2014

Preta, neguinha. Alva, branquela.

De adjetivos vive o homem, veja só, que dá nomes, dá formas, dá características, atribui e agrega valores.
Então, venha cá, minha neguinha e dê um oi aqui. Chegue aqui, minha branquela!
As palavras, ou eufemismos, os xingamentos estão principalmente no tom, mas a gente finge que não percebe isso.
Pois gente diferenciada não era ofensivo até alguém usá-lo no tom estúpido de desdém. Comunidade substituiu favela porque favela tinha ficado feio pra campanha política e pra televisão.
Só que não adianta, não adianta mudar a palavra sem mudar o tom, e também não adianta justificar o tom depois de dito, mesmo com a palavra politicamente correta.
Afinal, o que esta branquela entende disso aqui, pra falar do que ela não conhece? E você neguinha (ou seria afro-descendente?), vai pra lá e toma teu rumo!
Ah o tom, esse tom que irrita, que desatina, que modifica! Esse tom, que diz: deixa disso, seu filho da puta fudido, para de reclamar, levanta a bunda daí e vamos tomar uma breja!

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